Verruga Vulgar

Verruga Vulgar

Publicado em 29 de abril de 2015

Atlas de Imagens

Dermatovirose freqüente, de curso limitado, causada pelo papiloma vírus humano (HPV), sendo capaz de produzir proliferação epidérmica caracterizada por acantose, acompanhada de papilomatose, ocorrendo mais em crianças e adultos jovens.

Etiologia: Deve-se a papilomavírus do grupo papova com DNA de cadeia dupla, capaz de provocar efeito citolítico na célula infectada, provocando sua morte.

Pode afetar vários sítios na pele e mucosa. Há uma grande multiplicidade de HPV, contando-se hoje com pelo menos 130 genótipos, diferenciados através de seus DNAs pela hibridização. Destes, há 79 tipos bem caracterizados.  Quando existe dissimilaridade de mais de 10% com um tipo prévio, temos um novo tipo. Se a dissimilaridade ocorre entre 2 e 10%, temos um subtipo e se é menos de 2%, uma variante. Um mesmo tipo pode levar a várias formas clínicas.

Epidemiologia: As verrugas ocorrem em 7 a 10% da população, em qualquer idade, com pico dos 10 aos 16 anos. Entretanto, são mais freqüentes em escolares, onde, estima-se que 3 a 20% tenham verrugas. A infecção é adquirida pelo contato direto com portadores de lesões clínicas e subclínicas, através de objetos ou superfícies contaminadas (piscina, academias de ginástica). Acredita-se que cada nova lesão seja resultado de auto-inoculação. Pequenos traumatismos predispõem à infecção. Roer as unhas se associa com as verrugas periungueais. O trauma ao se barbear pode disseminar as verrugas filiformes da área da barba. Hiperidrose e pé chato predispõem às verrugas plantares.

O período de incubação é em média de 3 meses, variando de 1 a 20 meses. Os papilomas causados por HPV são inicialmente benignos. A incidência de verrugas, seu potencial de malignização, bem como sua regresssão, parecem estar diretamente relacionadas às desordens de imunidade mediada por células do hospedeiro. As verrugas ocorrem mais freqüentemente, duram mais e aparecem em grande número em pacientes com AIDS, linfomas e naqueles que tomam drogas imunossupressoras.

A reinfecção com o mesmo tipo de HPV parece incomum após seu desaparecimento, sugerindo que uma imunidade protetora tipo-específica possa se desenvolver.

Quadro clínico: Clinicamente, classificamos as verrugas de acordo com sua localização e morfologia em:

Verruga vulgar

Representa 70% de todas as verrugas, sendo causada geralmente pelo HPV 2, embora possamos encontrar  os HPV 1, 3, 4, 26-29, 38, 41, 49, 57, 63 e 65, pondendo ser encontradas em até 10% de adultos e crianças. São caracterizadas por pápulas ou nódulos exofíticos com superfície rugosa, às vezes, com pequenos pontos enegrecidos, que representam capilares trombosados. Estão comumente situadas no dorso das mãos e dedos, no leito ungueal ou dobras periungueais e joelhos. Cerca de 65% das verrugas vulgares desaparecem espontaneamente dentro de 2
anos. Novas verrugas podem surgir em locais de trauma, o que constitui o fenômeno isomórfico de Koebner que usualmente é menos acentuado do que nas verrugas planas.

Verruga plantar

Ocorre em 24% dos casos de verrugas. É causada pelo HPV 1, 2, 4, 27 ou 57, mais comumente em pacientes entre 6 e 10 anos. São pápulas arredondadas hiperceratósicas de crescimento endofítico que mostram uma área central irregular envolta por um anel hiperceratósico, aspecto vulgarmente chamado de olho de peixe. São geralmente dolorosas à deambulação e se localizam nos pontos de maior pressão como sob a extremidade anterior dos ossos metatarsianos e sob o calcâneo. Podem coexistir ou crescer sobre as calosidades. A confluência de várias verrugas plantares em largas placas, chama-se verruga em mosaico (HPV-2), sendo menos dolorosa que a forma profunda ou mirmécia (HPV-1). Cerca de 50% desaparecem em 6 meses mas podem persitir por vários anos. Tem-se observado que os HPV 4, 57, 60, 63 e 65 induzem a formação de cistos epidérmicos na região plantar ou verrugas proeminentes nas extremidades, exibindo ambos idênticas manifestações

Verruga plana

É observada em 3,5% dos casos de verrugas, sendo causada pelos HPV 3 e 10. São pápulas aplanadas, normalmente da cor da pele, com 1 a 3 mm de diâmetro, localizadas geralmente em face, dorso das mãos e mento de adolescentes. Nos homens, podem ocorrer na área da barba e, nas mulheres, na parte inferior das pernas. Tendem a não apresentar aspecto ceratósico e variam de poucas a centenas.

Verruga filiforme

É vista em 2% de todos os casos de verrugas. Apresentam-se como projeções filiformes ceratósicas, ocorrendo comumente na face, no pescoço, nas narinas e na comissura labial de homens. A reunião de várias lesões constitui a variedade digitiforme.

Tratamento: As lesões em pacientes com déficit da imunidade celular são, geralmente, resistentes ao tratamento. Por outro lado, o tratamento de uma lesão pode levar à regressão de muitas ou todas as verrugas em um indivíduo imunocompetente.

Objetiva-se destruir as células infectadas, utilizando-se substâncias, como o ácido nítrico fumegante (66%), ácido salicílico (12-26%), ácido lático, ácido tricloroacético (ATA ou TCA), cantaridina, podofilina, 5-fluoruracil ou bleomicina intralesional. Podemos utilizar a criocirurgia com neve carbônica ou nitrogênio líquido e ainda procedimentos cirúrgicos como curetagem, electrodissecção, laser de CO2 ou a hipertermia pelo laser de Nd:YAG.

O HPV é mais vulnerável à hipertermia do que à crioterapia. Em verrugas resistentes o flashlamp pulsed dye laser (585 nm) tem sido usado com eficiência de 80%. A cirurgia com sutura e a radioterapia são contra-indicadas. As verrugas podem desaparecer ocasionalmente, após psicoterapia, por sugestão. Para verrugas vulgares refratárias usarcidofovir a 1% em creme 2 vezes ao dia por 10 dias ou injeção da solução de 2,5 mg/ml ou ainda o imiquimod a 5%.

Em alguns casos tem-se usado a cimetidina 35mg/kg/dia (máximo 1.200mg/dia), e o sulfato de zinco 10mg/kg/dia (máximo de 600mg/dia) por três meses. O sulfato de zinco parece ser mais efetivo que a cimetidina para o tratamento de crianças e adultos com verrugas múltiplas e de difícil manejo.

Certos nutricêuticos como a coenzima Q (10), α-tocoferol, aspartato de selênio e L-metionina parecem controlar o equilíbrio de espécies reativas de oxigênio/nitrogênio (ROS/RNS) sendo essenciais para a defesa imunológica antiviral acelerando a recuperação e inibindo a recorrência de viroses mucocutâneas crônicas, associados com as terapias estabelecidas.

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