Tinha pedis

Tinha pedis

Publicado em 30 de julho de 2015

 

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Tinha pedis é o termo usado para a infecção fúngica que acomete a região plantar e os espaços interdigitais.  O primeiro relato de tinha pedis ocorreu em 1908, quando então, era considerada um infecção rara.

EPIDEMIOLOGIA: Talvez seja a infecção dermatofítica mais comum. Descreve-se que 70% da população mundial em algum momento da vida já teve ou desenvolverá a doença.  Normalmente a prevalência aumenta com a idade, com a maioria dos casos após a puberdade, sendo raros os casos de tinha pedis em crianças. Hiperhidrose é um fator de risco para a infecção fúngica, assim como o uso de sapatos fechados e andar sobre piscinas ou decks molhados.

ETIOPATOGENIA: Os principais responsáveis são os fungos dermatófitos: Trichophyton rubrum,Trichophyton mentagrophytes e Epidermophyton floccosum, sendo o Trichophyton rubrum o principal responsável. Trichophyton tonsurans também tem sido descrito em crianças. Os fungos dermatófitos caracteristicamente invadem a queratina da pele, vivendo às custas dela, por um mecanismo parasitário.Outra característica importante dos dermatófitos é a capacidade de inibir a resposta imunitária do organismo. Esse fato é observado de forma expressiva noTrichophyton rubrum, que consegue um estado mais crônico de infecção. Temperatura e fatores séricos como beta globulina e ferritina, parecem exercer efeito inibidor sobre os dermatófitos, assim como o sebo produzido pelas glândulas sebáceas. Talvez por isso, a propensão pela afecção dos pés, que não apresentam glândulas sebáceas. A apresentação clínica dependerá do sistema imune do hospedeiro e do fungo dermatofitico responsável.

Fungos não dermatófitos também podem ser responsáveis, em menor escala, dentre eles Scytalidium dimidiatumScytalidium hyalinum, e raramente espécies de Candida.

QUADRO CLÍNICO: Comumente apresenta-se com descamação e prurido nos pés, acometendo principalmente a região plantar.

Há 4 formas de apresentação da tinha pedis:

Tinha pedis interdigital: Tipo mais característico de tinha pedis. Apresenta-se com eritema, maceração e fissuras entre os dedos, em especial entre o quarto e o quinto pododáctilos, normalmente com prurido associado.

Tinha pedis crônica: Caracterizada por eritema plantar crônico associado à descamação e hiperqueratose. Também chamada de tinha em “mocasin”, sendo comum o acometimento de ambos os pés. Usualmente causada pelo T rubrum. Outras possibilidades são: T mentagrophytes var interdigitaleE floccosum, e Scytalidium hyalinum andScytalidium dimidiatum.

Tinha pedis aguda ou inflamatória: caracterizada por vesículas e/ou bolhas pruriginosas, muitas vezes dolorosas, principalmente em região plantar. Pode ocorrer infecção bacteriana secundária como complicação. Esse tipo inflamatório pode ser associado a uma erupção vesicular em palmas de mãos ou face lateral de dedos, simulando disidrose, chamada de dermatofítide. Corresponde a uma reação de hipersensibilidade ao fungo, tratando-se de uma reação alérgica que não apresenta elementos fúngicos no local e resolve-se espontaneamente após tratamento da tinha. Normalmente causada por fungos zoofílicos como o T mentagrophytes var mentagrophytes.

Tinha pedis ulcerativa: caracteriza-se pela disseminação rápida de vesículas e pústulas, frequentemente acompanhada de infecção bacteriana secundária. Mais comumente vista em pacientes diabéticos e imunodeprimidos.

Diante da suspeita de tinha pedis, uma pesquisa micológica deve ser solicitada, assim como a cultura micológica que permite a confirmação e identificação da espécie patogênica.

TRTAMENTO:

Tinha pedis pode ser tratada com antifúngicos tópicos ou orais ou em associação. Pacientes com tinha pedis crônica extensa, inflamatória, assim como onicomicose associada, diabetes, doença vascular periférica ou doenças imunosupresoras, podem requerer tratamento oral.

Os antifúngicos tópicos devem ser feitos por período médio de 1 a 6 semanas. Podem ser usados imidazólicos, ciclopiroxolamina e/ou alilaminas (terbinafina), esta última podendo ser usada por um período mais curto, entre 1 a 4 semanas. Espécies de Scytalidium, beneficiam-se com uso associado de ácido salicílico.

Dentre as medicações orais, pode se fazer uso do itraconazol, terbinafina e fluconazol.

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