Nevo Melanocítico

Nevo Melanocítico

Publicado em 15 de abril de 2015

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Atlas de Imagens

Nevo melanocítico (NM) é uma lesão benigna de células névicas que surge como resultado da proliferação de melanócitos. Há dois tipos fundamentais: nevo melanocítico adquirido e nevo melanocítico congênito. Exceção feita aos nevos atípicos e aos nevos congênitos gigantes, a maioria dos nevos melanocíticos têm um baixo potencial de malignização.

Nevo Melanocítico Adquirido: Podem surgir durante a infância, mas é entre 12 e 30 anos seu principal período de ocorrência. A partir dos 35 anos começam lentamente a desaparecer, quase não sendo vistos aos 90 anos. Aumentam de pigmentação e tamanho durante a puberdade, gestação, corticoterapia e exposição ao sol. Exposição constante e intensa ao sol em crianças leva a um maior surgimento destes nevos, que passam a ser um forte fator de risco para o melanoma. São comuns nas pernas de mulheres e dorso dos homens, locais que coincidem com o surgimento dos melanomas.

Histologicamente, os NM adquiridos podem ser: juncionais, quando os ninhos de células névicas permanecem em contato com a membrana basal, intradérmicos se estão livres na derme ou compostos se as duas situações ocorrem em uma mesma lesão. Se são biopsiados NM na pele de crianças, jovens adultos e idosos, será encontrado que a maioria dos nevos nas crianças serão NM juncionais, em jovens adultos NM compostos e em idosos NM intradérmicos. Esta seqüência nos dá a idéia de um processo de maturação onde o melanócito se transformaria em célula névica, proliferando inicialmente na junção dermoepidérmica para posteriormente migrar para a derme reticular, onde assumiria uma morfologia neuróide e perderia a capacidade de sintetizar melanina.

Manifestações clínicas:Apresentam-se como 5 tipos: lesões planas, ligeiramente salientes, verrucosas ou papilomatosas, em domo ou cúpula e pedunculadas. Os NM planos são quase sempre juncionais, os ligeiramente salientes e verrucosos são normalmente compostos ou intradérmicos e os com formato de domo ou pedunculados são geralmente intradérmicos. Nos nevos melanocíticos intradérmicos é comum a observação de vasos dilatados e pêlos terminais.

Normalmente são arredondados ou ovais, com bordas bem demarcadas e sua cor varia da cor da pele, marrom até o preto. As lesões muito pigmentadas não são comuns nas peles brancas, entretanto são esperadas nos indivíduos de pele escura. Um nevo específico tende a manter seu padrão de cor e forma. Usualmente não ultrapassam 8mm. Algumas vezes as células névicas situam-se na matriz ungueal, devendo-se acompanhar sua evolução com atenção.

Tratamento:Na maioria das vezes não é necessário tratamento. Não há suporte para que se retire NM em locais de trauma por maior risco de malignização. Diante de qualquer suspeita de malignização a lesão névica deve ser excisada com uma margem de 1-2mm e submetida a estudo anatomopatológico. As principais alterações sugestivas de malignização são alterações da cor, crescimento súbito da lesão sem causa justificável (gestação, puberdade), alterações na regularidade das bordas, aparecimento de lesões satélites e processos inflamatórios na sua superfície. Sintomas locais como prurido e ardor também podem ser sugestivos de malignização. Na atualidade é de grande ajuda na avaliação das lesões melanocíticas o auxílio da dermatoscopia.

Tratamento com laser

Em relação ao uso dos lasers, métodos não ablativos produzem uma fototermólise seletiva do pigmento melânico, com destruição secundária da célula névica, como o realizado pelo Q-switched ruby, Nd:YAG e Alexandrite. Estes produzem um efeito clareador superficial que, apesar da melhora cosmética, em muitos casos há recidiva, podendo mimetizar um melanoma (pseudomelanoma), e o potencial de transformação maligna, ainda demanda estudos de seguimento de longo prazo. Quando clinica e dermatoscopicamente afasta-se a possibilidade de lesão maligna os nevos intradérmicos e compostos podem ser retirados por lasers ablativos como o CO2 ou Er:YAG. Nestes casos o resultado cosmético normalmente é muito bom.

Nevos melanocíticos congênitos
São lesões névicas melanocíticas presentes desde o nascimento, considerados hamartomas produzidos por displasia da crista neural e seus derivados. A histopatologia é similar a dos nevos melanocíticos adquiridos compostos com agrupamento de células névicas na junção dermoepidérmica, mas com o componente não-juncional penetrando até a derme profunda e às vezes até o subcutâneo. As células névicas infiltram os apêndices cutâneos.

Manifestações Clínicas. Eles podem se apresentar como pequenas máculas ou pápulas de cor marrom com superfície lisa ou verrucosa, às vezes pilosa, sendo denominadas de lesões névicas congênitas pequenas, podendo chegar até 1,5cm, sendo estes a grande maioria (1% dos neonatos). Quando situados entre 1,5 e 20cm são denominadas lesões médias e quando maiores que 20cm podendo cobrir vários segmentos anatômicos são chamados nevos melanocíticos gigantes (0,002% dos neonatos). As lesões névicas médias e gigantes freqüentemente têm a superfície pilosa (95%) e rugosa com coloração que varia do marrom ao negro. Os nevos gigantes, freqüentemente, são unilaterais, atingem um segmento do corpo tendo distribuição em peça de vestuário, sendo chamados em calção de banhoem gorroem luvaem bota em camisa. A tendência para malignização nos nevos melanocíticos congênitos gigantes é de 4,5%, ocorrendo 50% dos casos antes da puberdade. Como sua frequência é baixa são responsáveis por apenas 0,1% dos casos de melanoma. Já os nevos melanocíticos congênitos pequenos talvez tenham um risco de desenvolver melanoma em menos de 5% dos casos, mas são responsáveis por 15% dos melanomas. Pode ocorrer associação de alterações neurológicas com os NM gigantes de acordo com a área acometida, como espinha bífida e meningocele, devido a infiltração de melanócitos nas estruturas nervosas, constituindo as melanoses neurocutâneas.

Tratamento. A exérese cirúrgica é sempre preconizada devido ao alto risco de malignização, porém muitas vezes é um tratamento de difícil realização devido à extensão das lesões, tendo-se que recorrer ao uso de expansores, rotação de retalhos e colocação de enxertos.

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