Foliculites

Foliculites

Publicado em 7 de maio de 2015

Atlas de Imagens

São processos inflamatórios da unidade pilossebácea. Podem ser superficiais ou profundos, dependendo da localização da inflamação no folículo. As lesões profundas podem deixar cicatrizes.

Foliculite superficial . Processo subagudo ou crônico confinado ao óstio do folículo. Decorre de injúria física ou química, podendo a pústula ser estéril ou conter estaficolocos coagulase-negativos. Tem sido relatada após exposição ocupacional a óleos e graxas (elaioconiose) ou uso de adesivos oclusivos contendo corticosteróides. Uma foliculite traumática pode ser observada após depilação. O impetigo folicular de Bockhart é a infecção do óstio folicular peloS. aureus. Consiste de pequenas pústulas centradas por um pêlo. É mais freqüente nas crianças, podendo atingir qualquer área do corpo, sendo mais comum no couro cabeludo e membros. A pseudofoliculite da barba ou pili incarnati é uma reação tipo corpo estranho ao pêlo encurvado (ulotríquio) que penetra na pele. Clinicamente, há menos inflamação do que na foliculite estafilocócica. Ocorre mais na área da barba, pescoço e virilha de negros geneticamente predispostos. A cura definitiva somente é possível com a remoção permanente do pêlo através de lasers específicos.

Foliculite profunda
Sicose da barba – foliculite crônica localizada na profundidade do pêlo da barba causada pelo S. aureus. Observam-se pápulas foliculares, pústulas centradas por um pêlo e crostas. O diagnóstico diferencial deve ser feito com a pseudofoliculite e com a sicose da barba de origem fúngica, onde o quadro é mais severo.
Hordéolo ou terçol – É uma infecção causada pelo S. aureus das glândulas de Meibomius (hordéolo interno ou calázio) ou das glândulas ciliares de Zeis e Moll (hordéolo externo). Nota-se pápula ou nódulo folicular sob pele eritemato-edematosa que pode drenar pus.

Furúnculo – infecção estafilocócica aguda, necrotizante, do folículo piloso e da glândula sebácea anexa. Pode evoluir a partir de uma foliculite superficial. Surge um nódulo eritematoso, doloroso que aumenta de tamanho e, depois de algum tempo, torna-se flutuante. No final, o material necrótico central (carnegão) é eliminado. O aparecimento contínuo de vários furúnculos é conhecido como furunculose. A manipulação de furúnculos próximos aos lábios e nariz pode favorecer a contaminação bacteriana nos seios cavernosos com a formação de graves abscessos cerebrais.

Antraz – é o agrupamento de vários furúnculos. A secreção drena por vários orifícios. É bastante doloroso. Localiza-se, de preferência, onde a derme é espessa, como na nuca, dorso e coxas. Ocorre preferencialmente em idosos e imunossuprimidos.

Variantes da foliculite

Foliculite queloidiana da nuca. Caracterizada por pústulas foliculares na nuca que evoluem para lesões queloidianas. É mais comum nos homens de raça negra que apresentam politriquia, ou seja, fusão de folículos na superfície da pele, onde surgem dois ou três pêlos.

Foliculite decalvante – é uma foliculite crônica, causada geralmente pelo S. aureus, que determina intensa destruição folicular com posterior atrofia, resultando em alopecia cicatricial. No couro cabeludo, chama-se foliculite decalvante do couro cabeludo; na área da barba, chama-se sicose lupóide e nos membros inferiores foliculite decalvante de Arnozan Dubreuilh.

Foliculites por oclusão folicular – há tendência à obstrução do óstio folicular por hiperqueratose folicular inata. Sugere-se que a queratina encontrada na derme (resposta granulomatosa), resulte da destruição do folículo. Clinicamente, notam-se comedões, abscessos intercomunicantes múltiplos, trajetos fistulosos, cicatrizes hipertróficas e queloidianas. Compreende ahidrosadenite, a foliculite dissecante do couro cabeludo (Perifolliculitis capitis abscedens et suffodiens) e a acne conglobata. A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica da pele com furúnculos, fístulas e abscessos, mais comumente localizada nas axilas e virilhas, sendo o tratamento cirúrgico o método de escolha.

O tratamento da foliculite superficial pode ser feito somente com soluções ou sabonetes anti-sépticos e antibióticos tópicos tipo ácido fusídico, mupirocina ou gentamicina. No caso de foliculite refratária ou disseminada, pode ser necessário uso de antibiótico por via oral. Quando o furúnculo é único, geralmente responde bem às aplicações de compressas quentes. A incisão e drenagem podem ser úteis nos casos mais profundos. Nos casos de furunculose, há necessidade de antibióticos tópico e sistêmico e do uso de antibiótico tópico na entrada das fossas nasais do paciente e, às vezes, dos membros da família. Mupirocin 2% intranasal por 5 dias, e por igual período a cada mês por um ano, reduziu a colonização nasal dos portadores a 22% comparado a 83% do grupo placebo. Caso cepas de S. aureus meticilino-resistentes (MRSA) estejam presentes, vancomicina IV 1 a 2g dia está indicada.

Pesquisar