Doença de Darier (Ceratose Folicular)

Doença de Darier (Ceratose Folicular)

Publicado em 4 de fevereiro de 2015

Atlas Doença de Darier

Genodermatose de herança autossômica dominante caracterizada por quadro de pápulas hiperceratóticas de aspecto “graxento” em áreas seborréicas, anormalidades ungueais e alterações de membranas mucosas.

Etiopatogenia

Ocorrem mutações no gen ATP2A2 (cromossomo 12q23-24.1), que é responsável por codificar a isoforma 2 da proteína Ca2+ -ATP do retículo endoplasmático (SERCA2). Essa proteína é uma bomba de cálcio que se manifesta no epitélio e é responsável por manter níveis baixos de cálcio no citoplasma celular ao transportá-lo para dentro do retículo endoplasmático. Alterações na regulação do cálcio intracelular afetam a síntese, “folding” e transporte das proteínas dos desmossomos. Tais alterações levam aos achados histopatológicos da doença, que são adesão anormal entre os queratinócitos e queratinização aberrante.

Manifestações clínicas

As lesões surgem geralmente entre os 6 e 20 anos de idade.  São pápulas cor da pele ou amarelo-acastanhadas com superfície “graxenta” ou verrucosa em áreas seborréicas (fronte, couro cabeludo, margem da implantação capilar, sulcos nasolabiais, orelhas, tórax e dorso).

Aproximadamente 80% dos pacientes tem lesões flexurais, que podem apresentar odor fétido. Pode haver prurido local e há predisposição a infecções bacterianas e virais no local das lesões. As mãos são afetadas em 95% dos casos e as lesões consistem em queratose “puntuada”, depressões puntiformes palmares e máculas hemorrágicas.

As lesões ungueais, quando presentes, são características da doença e consistem em estrias longitudinais vermelhas e brancas, hiperceratose subungueal e margem livre da unha em forma de V. Na mucosa há lesões em 15% dos casos, surgindo pápulas com depressão central que conferem um aspecto em pedra de calçamento à mucosa. Pode haver ainda obstrução de glândulas salivares. O quadro é crônico e exacerbações podem ocorrer devido a calor, sudorese, luz solar, exposição UVB, uso de lítio ou corticóides orais, traumas mecânicos ou período “peri-menstrual”. É observada maior freqüência de anormalidades neuropsiquiátricas nos pacientes portadores de Doença de Darier.

Diagnóstico

 A histopatologia auxilia no diagnóstico ao mostrar acantólise disceratótica, o principal achado da patologia. . Formam-se lacunas suprabasais e as papilas dérmicas se projetam em aspecto de vilos para dentro dessas lacunas. Hiperceratose é freqüente e sobre cada lesão há um grande rolhão de queratina com paraceratose focal.  Sequenciamento gênico pode confirmar o diagnóstico ao flagrar mutações no gen  ATP2A2.

Tratamento
São necessárias medidas gerais como evitar fatores de exacerbação, uso de emolientes, tratamento de infecçcões secundárias. De uso tópico podem-se usar retinóides e 5-fluoroacil, além de corticóides nos casos inflamados. Os retinóides orais são o tratamento mais eficaz. Medidas cirúrgicas tem sido relatadas em lesões localizadas ou espessas: dermabrasão, eletrocirurgia, cirurgia micrográfica de Mohs  e excisão cirúrgica. Há relatos ainda com terapia fotodinâmica.  Como nova modalidade para lesões recalcitrantes tem sido descrita ablação a laser (laser de CO2, Er:YAG, dye-laser, laser fracionado erbium 1550nm).

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