Acrodermatite Enteropática

Acrodermatite Enteropática

Atlas de imagens

Acrodermatite enteropática (AE) é um distúrbio raro e hereditário de deficiência do zinco, caracterizado por dermatite periorificial e acral, alopecia e diarreia.

 

Epidemiologia. A prevalência de AE é de 1-9: 1.000.000 e taxa de incidência global de 1: 500.000 recém-nascidos, ocorrendo independentemente da etnia ou sexo. A doença geralmente se manifesta na infância, no momento do desmame em lactentes alimentados com leite materno, ocorre mais cedo naqueles que utilizam fórmulas ou acomete aqueles que ainda são amamentados se os níveis de zinco forem baixos no leite materno. A deficiência de zinco adquirida pode se manifestar em qualquer idade.

 

Fisiopatologia.  É uma doença autossômica recessiva que ocorre como resultado de mutações no gene SLC39A4 localizado no cromossomo 8q24.3. O gene SLC39A4 codifica uma proteína transmembrana que é parte da família de proteínas transportadoras de zinco/ferro regulado (ZIP), a qual é necessária para absorção de zinco. Esta proteína é altamente expressa nos enterócitos do duodeno e jejuno, portanto, indivíduos afetados têm uma capacidade diminuída em absorver zinco de fontes alimentares.

 

Manifestações clínicas. Os achados característicos da pele incluem placas altamente diferenciadas, secas, escamosas e eritematosas, geralmente vistas na área anogenital e na face (área periorificial), estando o lábio superior poupado. As placas podem ser psoriasiformes, eczematosas, pustulares ou erosivas com a borda crostosa característica e podem se infectar secundariamente por Staphylococcus aureus ou Candida albicans. As mudanças nas unhas, incluindo a paroníquia, podem estar presentes, e o cabelo torna-se quebradiço, seco e sem brilho. Na deficiência profunda, a alopecia difusa pode acontecer. Os achados na mucosa que podem ser vistos incluem queilite angular, glossite, conjuntivite, blefarite, ceratite pontilhada.

As manifestações sistêmicas incluem diarreia, irritabilidade, letargia, anorexia, retardo no crescimento e desenvolvimento. A tríade clássica da AE inclui alopecia, diarreia e erupção cutânea periorificial e acral, que se não for tratada, pode ser fatal.

 

Diagnóstico. O diagnóstico é baseado em sintomas clínicos e confirmado através de baixos níveis de zinco plasmático e rápida resposta clínica à suplementação de zinco. A concentração plasmática de zinco menor do que 50 mcg/dL é sugestiva, mas não diagnóstica ( normal = 70 a 120 mcg/dL). Como a fosfatase alcalina é uma enzima dependente do zinco, níveis reduzidos dela no contexto de níveis normais de zinco tem um papel indireto no estabelecimento do diagnóstico. Os achados histopatológicos têm uma contribuição menos significativa, uma vez que os aspectos microscópicos não são específicos. A histopatologia das lesões cutâneas revela um padrão de necrose psoriasiforme, na maioria das vezes pálida, por vacuolização citoplasmática, necrose focal ou confluente de queratinócitos na parte superficial da epiderme e paraqueratose confluente.

 

Diagnóstico diferencial. Os diagnósticos diferenciais de AE incluem desnutrição proteico-energética, psoríase, dermatite seborreica e síndrome de glucagonoma. Acrodermatite dismetabolica é um termo usado para distúrbios metabólicos que resultam em uma apresentação clínica semelhante à AE e suas principais causas são: deficiências adquiridas de zinco, aminoácidos ou biotina.

 

Outras condições clínicas que podem apresentar redução nos níveis séricos de zinco são: doença de Crohn, fibrose cística, anemia falciforme, doença hepática, inadequada suplementação de zinco em nutrição parenteral, doença renal e em atletas adolescentes.

 

Tratamento. O tratamento da AE requer suplementação de zinco ao longo da vida. Geralmente, 1-3 mg/kg de gluconato ou sulfato de zinco são administrados oralmente a cada dia. A melhora clínica ocorre normalmente dentro de dias a semanas após iniciar o tratamento. Os níveis de zinco sérico e fosfatase alcalina devem ser monitorados a cada 3-6 meses e a dose ajustada conforme necessidade.

 

Referências.

1. AcrodermatitisEnteropathica

Author: Kristina Marie Dela Rosa, MD

Coauthor(s): Elizabeth K Satter, MD, MPH

 

2. Zincdeficiency and supplementation in children and adolescentes

Author: Steven A Abrams, MD

 

3. Acrodermatitis, Enteropathica

Authors: Soumya Jagadeesan; Feroze Kaliyadan.

 

4. Advancesin pharmacotherapeutic management of common skin diseases in neonates and infants

Authors: Annalisa Patrizi, Iria Neri, Giampaolo Ricci, Francesca Cipriani & Giulia Maria Ravaioli

 

5. AcrodermatitisEnteropathica: A Case Report

Nicolai Nistor, MD, PhD, Lavinia Ciontu, MD, Otilia-Elena Frasinariu, MD, PhD, Vasile Valeriu Lupu, MD, PhD, Ancuta Ignat, MD, PhD, and Violeta Streanga, MD, PhD

Pesquisar