Acropustulose Infantil

Acropustulose Infantil

Publicado em 2 de junho de 2017

Acropustulose infantil

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Atlas de Imagens

A acropustulose infantil é uma erupção vesiculopustular recorrente, autolimitada, intensamente pruriginosa das palmas e solas, ocorrendo em crianças. É uma condição benigna com um curso muitas vezes mais crônico do que outras lesões neonatais benignas.

 

Epidemiologia. A incidência da acropustulose infantil é desconhecida. Relatos iniciais propuseram que bebês negros do sexo masculino eram mais comumente afetados, porém estudos atuais não comprovaram essa predisposição.

 

Etiologia. A etiologia ainda é desconhecida. Uma reação de hipersensibilidade inespecífica à escabiose foi postulada porque muitos pacientes foram tratados para escabiose antes de serem diagnosticados com acropustulose infantil. No entanto, os incidentes de recém-nascidos afetados com acropustulose tornaram a reação de escabiose uma fonte improvável para a erupção em todos os casos.  As culturas bacterianas e virais são negativas nesses pacientes e a imunofluorescência negativa na biópsia sugere não ser um processo autoimune.

 

Manifestações clínicas. Geralmente, crianças com idade de 2-12 meses com acropustulose exibem máculas eritematosas pruriginosas ou pápulas que progridem em vesículas e depois em pústulas. As mãos e os pés estão sempre envolvidos, comumente palmas, solas e superfícies laterais, mas também podem acometer membros, tronco e couro cabeludo. As lesões se resolvem com hiperpigmentação macular e nenhum outro sistema de órgãos está afetado. As crianças, durante as crises, frequentemente ficam irritadas e desconfortáveis, mas com bom estado geral. As recorrências normalmente ocorrem em intervalos de 2-4 semanas e podem durar 5 a 10 dias. Porém, a intensidade e duração dos sintomas diminuem a cada recorrência.

 

Diagnóstico. O diagnóstico é baseado em características clínicas, mas culturas e esfregaços ajudam a excluir etiologias infecciosas potencialmente tratáveis. A biópsia geralmente não é necessária, mas se realizada, revela pústula unilocular, subcorneal ou intraepidérmica contendo neutrófilos e eosinófilos.

 

Diagnóstico diferencial. O diagnóstico diferencial de acropustulose infantil inclui:

  • Eczema disidrótico;
  • Psoríase pustular;
  • Doença da mão-pé-boca (Coxsackievirus ou, menos frequentemente, Enterovirus);
  • Herpes zoster
  • Escabiose
  • Impetigo

 

Tratamento. Embora a acropustulose seja autolimitada, resolvendo em dois anos, recomenda-se o tratamento para aliviar o prurido grave. Os anti-histamínicos orais sedativos, como a hidroxizina e a difenidramina, em doses suficientes para induzir sonolência, podem ser usados para aliviar o prurido, especialmente à noite. Os corticoides tópicos e a dapsona oral foram utilizados com bons resultados para o tratamento sintomático.

Sugerem-se corticoides tópicos de média a alta potência, dipropionato de beclometasona, como o tratamento de primeira linha para as erupções. A absorção sistêmica de corticoides tópicos na acropustulose infantil é limitada pela distribuição localizada das lesões, espessura da pele nas áreas afetadas e periodicidade das erupções.

A dapsona (1-2 mg/kg/dia por via oral) é reservada para casos graves e recalcitrantes. Os efeitos adversos dela incluem neuropatia periférica, anemia aplástica, hepatite, anemia hemolítica e metemoglobinemia.

Os antibióticos tópicos ou orais não devem ser administrados a menos que as lesões se tornem secundariamente infectadas com bactérias, exceto eritromicina (40mg/kg/dia por via oral) como alternativa aos corticoides tópicos, pois parece ter efeito anti-inflamatório.

O prognóstico desses pacientes é excelente. Usualmente, os episódios dos sintomas diminuem em gravidade com surtos sucessivos e a maioria desaparece completamente quando o indivíduo tem idade entre 2 e 3 anos.

 

Referências

https://www.uptodate.com/contents/benign-skin-and-scalp-lesions-in-the-newborn-and-young-infant?source=search_result&search=Acropustulose%20infantile&selectedTitle=1~2

http://emedicine.medscape.com/article/1109935-overview

http://emedicine.medscape.com/article/909472-overview

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